Notação descritiva de xadrez

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A Notação Descritiva é um sistema de notação de partidas de xadrez, no qual cada coluna recebe um nome que indica qual a peça que originalmente ocupa a primeira casa. Assim, a primeira coluna é TD, ou coluna da Torre da Dama (para as brancas). A coluna seguinte é a CD, ou coluna do Cavalo da Dama. Seguem as colunas BD (Bispo da Dama), D (Dama), R (Rei), BR (Bispo do Rei), CR (Cavalo do Rei) e TR (Torre do Rei).

A contagem da linha começa em 1 a partir da linha que contém as peças de valor maior, indo até 8 na outra extremidade. Só que a linha 1 das brancas é a linha 8 das pretas, e vice-versa.

Este sistema, embora muito popular no século passado, encontra-se em desuso, e não é aceito pela FIDE em anotações de jogos de campeonatos oficiais. Entretanto, boa parte da literatura nacional sobre o xadrez foi escrita antes da adoção oficial do sistema algébrico, de forma que o leitor vai precisar acostumar-se com o sistema descritivo.

Um início de partida típico no sistema descritivo pode ser visto abaixo:

1. P4R   P4R
2. C3BR  B5C
3. P4D   PxP

No trecho acima, a jogada de número 3 contém uma captura (Peão captura Peão), e, pela posição do jogo, só pode ser o P4R das pretas que capturou o P4D das brancas. Lembrando que a casa P4R das pretas é a casa P5R das brancas.

O fim do jogo geralmente é anotado 1-0 (vitória das brancas), 0-1 (vitória das pretas) ou 1/2-1/2 (empate), indicando para quem foi o ponto disputado na partida.

Outros símbolos que aparecem na anotação são o + (xeque), o ++ (xeque-mate), 0-0 (roque pequeno), e 0-0-0 (roque grande).

O sistema de notação descritiva foi o principal sistema usado para notação das partidas, publicações e grandes livros de xadrez desde o século XVIII.

Este sistema é tão antigo quanto o de notação algébrica, porém sua adoção se deu devido a uma partida disputada entre dois grandes mestres, Philidor e Stamma, cada qual com seu sistema de preferência.

Quando Stamma perdeu a partida para Philidor, seu sistema entrou em desuso, e pelos próximos séculos o sistema descritivo passou a ser a principal forma de notação no xadrez. Esse sistema ainda é muito popular no Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha e países de língua espanhola, apesar de não ser mais aceito pela FIDE ou em competições.

A notação descritiva surgiu como forma de abreviação do sistema de Ruy Lopes, e era escrito da seguinte maneira: “O Rei comanda seu Cavalo da Ala do Rei para que movimente-se e ocupe a terceira casa em frente ao seu Bispo”. Por ser muito longo e levar muito tempo para descrever o lance, ele foi abreviado como C3BR, que é lido “Cavalo para terceira casa da coluna do Bispo Rei”.

No sistema de Philidor, as colunas recebem o nome das peças que as ocupam no início da partida, e as linhas são numeradas de acordo com a posição de cada jogador, isto é, a contagem inicia em 1 e vai até 8, para ambos os lados. Essa numeração acabou por causar ambiguidade, uma vez que cada casa pode receber duas denominações.

A casa 1TD, ou Primeira Casa da Coluna da Torre da Dama, pode ser tanto a primeira casa do extremo esquerdo do tabuleiro das brancas, como a primeira casa do extremo direito do tabuleiro das pretas.

Como podemos observar no tabuleiro acima, as colunas são idênticas para ambos os jogadores, porém as linhas são opostas. Da esquerda para a direita temos a coluna Torre-Dama, Cavalo-Dama, Bispo-Dama, Dama, Rei, Bispo-Rei, Cavalo-Rei e Torre-Rei. O lance é anotado com todas as letras maiúsculas, primeiro com a inicial da peça, o número da linha para a qual ela vai e a casa de chegada. Veja o exemplo de partida abaixo:

1. P4BD
1…P3R
2. C3BD
2…B2R
3. PxP
s
3…PxP
s
4. B4BR
s
4…P3BD
s  
5. D2BD
5…B3D
6. BxB
s
6…DxB
s
7. P3R
s
7…C2R
s
8. B3D
8…C2D
9. C2R
s
9…P3TR
s
10. 0-0
s
10…0-0
s

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